Sinopse enredo 2018
“BATUKEIROS
DO MAL, OS VILÕES NO CARNAVAL”
A partir do momento em que o ser humano começou a
observar, comparar e questionar o seu comportamento em relação ao do outro
nasceu a ideia do que seria o bem e o mal. Com o cristianismo, por volta do
século III, esta dualidade ganhou força através de doutrinas religiosas.
O Maniqueísmo dividiu o mundo nestes polos, entre Deus,
o Diabo e seus respectivos discípulos, os representantes do “Reino da Luz” e os
do “Reino das Sombras”. A partir daí tudo o que era considerado satânico passou
a ser uma grande ameaça, combatida sanguinariamente em todo mundo ocidental pela
Santa Inquisição, durante a chamada Idade Média.
E como definir o que é ser mal?
Segundo a psiquiatria, todo o ser humano carrega a
maldade dentro de si. Do que age em legítima defesa até os assassinos
torturadores, todo mundo é capaz de praticar o mal.
Na tentativa de eternizar este ímpeto, artistas ao longo
da história se empenharam em contar os feitos da vilania de muitas maneiras:
nas artes plásticas, literatura, teatro, cinema, novelas e até nos quadrinhos.
Frutos da imaginação ou da vida real, do centro da terra aos planetas mais
longínquos, estes personagens já protagonizaram verdadeiros banquetes de
perversidades e massacres violentos. E, por mais que as suas atitudes sejam
socialmente condenáveis pelo senso comum, quanto mais malvado, mais atraente
ele se torna.
Mas por que nos encantamos por estes personagens?
As pessoas gostam de sentir medo. Quem nunca aproveitou
uma cena de terror para ficar agarradinho ou aproveitou a adrenalina do momento
para assustar um irmão mais novo? O terror controlado na tela ou nos livros
ajuda a entender o mundo e a experimentar sensações que não existem em nenhum
outro lugar. Além disso, os cientistas dizem que o medo, ansiedade e estresse
ajudam o homem a evitar o perigo e a progredir.
Mas, com chegada da pós-modernidade, o lugar do 100%
malvado foi questionado. Muitos vilões se tornam os protagonistas, as grandes
estrelas, e até os mais malvados ganharam releituras que contam as histórias de
seu ponto de vista, o que humaniza e desconstrói personagens já conhecidos do
público. São os nossos malvados favoritos, aqueles que nos fazem rir ou nos
inspiram, inclusive, a vencer todos os obstáculos da vida, seja pela força
extraordinária, poderes mágicos ou planejamento estratégico.
Por onde andam na vida real?
Serial killers, ladrões, assassinos, abusadores,
políticos, chefes assediadores, professoras autoritárias, tios chatos,
valentões da escola, vizinhas encrenqueiras…. Eles andam por aí todos os dias,
do nosso lado. E quantos de nós não assumem este lugar sem perceber quando
discutimos no transito, nos aproveitamos de situações cotidianas ou mesmo
quando somos preconceituosos com alguém?
Assim, no ano em que o carnaval está sendo demonizado
como há muito não se via, o Batuke de Batom leva para as ruas a irreverência e
a sedução dos heróis do “reino das sombras”, aqueles que de tão carismáticos
despertam a nossa empatia e por vezes a nossa torcida. Vamos brincar com a
vilania, exaltar os nossos canalhas favoritos e mostrar que ser malvado tem lá
a sua graça, ainda mais quando quem conta este conto é o bloco mais charmoso da
Ilha.
Texto de Priscila Pereira

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