“Letras
Negras em Páginas Brancas – Um Relato Sobre a Imprensa Preta no
Brasil”
Sinopse
Reconhecendo
a importância na sociedade brasileira, o G. R. E. S. Visita
Fofoqueira vai a fundo na história da Imprensa Brasileira para
encontrar as letras que registraram relatos e notícias de valorosos
Negros de todos os Gêneros.
A
história das letras pretas começa cobertas de sangue, Tratados
Palacianos Europeus e Bulas Papais Romanas, teciam relatos tristes e
estabeleciam acordos pouco respeitosos aos ancestrais Africanos.
Iniciava-se o terror do Tráfico Negreiro. Anotados, contados,
medidos, amontoados assim chegaram os Africanos relatados em
Registros de Escravizados e Certidões de Batismos. Triste era o
tempo que a cor preta das letras prevalecia sobre o branco do papel
apenas para fazer o branco se sobressair. Contudo 3 mulheres, uma
trans e duas six, mudaram este panorama.
Chica
Manicongo a trans sexual Negra que fez prevalecer sua identidade de
gênero em meados do século XVII, no Brasil Colônia, tornou-se
notícia nos apavorados comunicados paroquiais enviados à Catedral
da Bahia quanto nos mexericos de bilhete que acusavam seu
escravizador, que era artesão sapateiro, de sodomia.
Já
a cantora lírica Joaquina Lapinha e a Rainha das Diamantinas Chica
da Silva, fizeram seus nomes circular pelos informes e cartas
enviadas à corte. Elas seriam hoje que nós chamaríamos de
celebridades internacionais. Mas os negros apenas eram relatados não
tinham voz, tão pouco acesso as letras formais.
Letras
libertárias surgiram entre os que com muito custo conseguiram
aprender a escrever, cartas, mapas, recados escondidos, unificaram
forças e conclamaram revoltas, formaram quilombos, se as mãos
brancas autorizavam a “liberdade” com leis e alforrias, redigiam
denúncias e já contavam sua própria história.
Em
06 de setembro de 1770, Esperança Garcia, considerada a primeira
advogada do Piauí, envia ao Governador da Capitania de São José do
Piauí, uma carta-petição denunciando os maus tratos que sofria
junto a sua família.
O
século XIX foi o berço da imprensa preta propriamente dita, a
começar pelo pasquim O homem de Cor que em sua primeira edição
1833 já questionava o não acesso de pessoas pretas a cargos
públicos e postos militares de comando. Graças ao Tipógrafo e
Jornalista Francisco de Paula Brito, que este feito foi possível.
Depois por todo o país surgiram jornais pretos. O Homem: Realidade
Constitucional ou Dissolução Social, Recife (PE) em 1876; Orgam dos
Homens de Côr, de São Paulo (SP) em 1889; O Exemplo, Porto Alegre
(RS) 1892. Nomes como Antonio Pereira Rebouças, Machado de Assis,
Luiz Gama, José do Patrocínio entre outros fizeram mais retintas as
letras da Imprensa Brasileira, ramificando-se por outros campos da
escrita como a literatura e a dramaturgia.
O
povo ganha voz e exprime suas ideias nas páginas dos pasquins, faz
notícia, vira notícia e vende notícia, os jornaleiros que gritam
pelas esquinas que se abrem com o século XX, a Belle Epoque era de
modernidades como popularização fotografia, faz surgir figuras como
João do Rio, homem preto, sofisticado, dânde de salões, cronista
da agitada vida carioca. As letras pretas ditam moda e anunciam
espetáculos, dava-se o início das colunas sociais e crônicas da
vida cotidiana.
A
partir década de 20 o samba ganha as páginas dos jornais, junto com
os ranchos e corsos carnavalescos. As escolas de sambas são
imortalizadas nas capas de jornais e revistas. O samba viaja de boca
em boca pelo telefone e nas ondas do rádio. Tem negro estampando nas
colunas de cultura.
Chega
a televisão, mais um espaço a ser conquistado…
Os
manifestos das mentes pensantes do Teatro Experimental do Negro
montam a boca de cena perfeita para fazer surgir Mercedes Baptista, a
primeira bailarina negra do Teatro Municipal do Rio de janeiro,
Haroldo Costa grande jornalista, ator e cronista de carnaval e o
Grande Líder Abdias Nascimento assume espaço, mas a luta contra o
preconceito ainda é grande mesmo uma renomada Jornalista como Glória
Maria no exercício de sua função, sente latente o peso da
discriminação.
Novos
movimentos culturais e problemas sociais colocam o negro na capa dos
jornais. A favela grita, chora, conta, é noticia! A segregação as
Páginas Policiais colocam mais uma barreira a ser vencida pelo povo
preto. Temos aí o preto-tragédia, encerrado em páginas e cenas de
crueldade e sensacionalismo, chacinas, descaso.
Em
resposta a essa triste realidade, o preto responde com talento
dourado refletido nas medalhas e taças conquistadas em várias
modalidades do esporte.
Hoje
conquistou-se mais espaços e temos âncora do maior telejornal do
país, Heraldo Pereira e Maju Coutinho, além do também renomado
Abel Neto, Joyce Ribeiro, Luciana Barreto, Adriana Couto, e a jovem
Valéria Almeida.
Com
o advento da internet fez muitos coletivos e jornalistas
independentes pretos ganharam espaço nas mídias.
Ainda
há um longo caminho a ser percorrido em busca da igualdade de
direitos e oportunidades, mas nas páginas da história do nosso
Brasil sempre estarão grafadas as retintas letras pretas sobre
páginas brancas, que relataram a história da imprensa negra no
Brasil.
Vinicius
Osayin, Carnavalesco
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