domingo, 14 de outubro de 2018

GRC GARRA DE OURO (NITERÓI/RJ)


Sinopse enredo 2019


Luiz Gama: O Espártaco Negro Celebrando a Liberdade na Conceição!


Autor: Professor Mariano
                         
Apresentação
Em tempos obscuros de intolerância religiosa, racial e política no Brasil e no mundo, nós da Garra de Ouro achamos pertinente trazermos para a Rua da Conceição um ícone do movimento negro no combate ao racismo e pela liberdade dos escravos. Estamos falando de Luiz Gama, o Espártaco negro. Chamado assim, não porque tenha sido um gladiador de arena como o líder da rebelião de escravos romanos. Mas como Espártaco, foi vendido como escravo. E seu nome a exemplo de Espártaco no Império Romano, virou lenda em terras paulistas no século 19.
Começaremos a contar a história deste iniciador da luta pela libertação dos escravos, saído do povo negro, através da sua ancestralidade. Luiz Gama foi filho de Luíza Mahin, mulher negra, africana livre, da Costa da Mina (Nagô de nação) pagã, que sempre recusou o batismo e a doutrina cristã. Luíza Mahin foi uma militante de muita luta das causas negras, foi uma mulher a frente do seu tempo. Liderou a maior e mais organizada revolta de escravos do Brasil Império. A revolta do Malês, ocorrida em salvador a partir de 1835. Na língua ioruba, muçulmano é ‘’imale’’, é uma alteração na pronúncia gerou o termo “malês”, para caracterizar os negros mulçumanos da Bahia, de origem hauçá e nagô. Eram negros cultos e rebeldes, não aceitava passivamente a escravidão.
Desta herança contestadora nasceu em 21 de junho de 1830, Luiz Gama, filho da união de Luíza com um fidalgo português que o vendeu por causa de uma dívida de jogo. Assim Luiz Gama, menino livre, filho de uma negra livre e de um branco, tornou-se escravo irregularmente, por causa da atitude racista do seu próprio progenitor.
Luiz herda DNA rebelde de sua mãe e desde menino não aceita o cativeiro. Vivendo em Campinas terra onde residiam os fazendeiros mais cruéis no trato com os escravos. Mas tal ambiente não intimidou o jovem Luiz que assim começa a sua luta pela liberdade e de seu povo. Baseado na interpretação da lei, Luiz Gama com 17 anos move processo para questionar seu cativeiro e, consegue provar que não era escravo, que era um jovem livre como sua mãe.
Livre das amarras da escravidão Luiz começa sua saga de liderança do movimento abolicionista. Com ajuda do jovem amigo Antônio Rodrigues do Prado Junior, Luiz Gama aprendeu as primeiras palavras e mais do que isso, entender o significado delas e assim, elegeu a liberdade como palavra chave para conduzir sua vida e de seu povo preto.
Alfabetizado, Luiz Gama começa efetivamente sua luta contra a sociedade escravista brasileira e é um dos precursores do movimento abolicionista. Aos dezoito anos alistou-se na Guarda Urbana, fez amigos, estudou leis como aluno ouvinte da Faculdade de Direito de São Paulo. Luiz Gama tentou fazer pra valer a Faculdade de Direito, achava que seria aceito ali como qualquer cidadão livre, mas a sociedade racista acadêmica da época, não permitiu que o jovem negro talentoso no Direito, realizasse seu sonho de se tornar um advogado da causa negra em plena vigência da escravidão em nossa terra. Mas isso não afastou Gama da luta jurídica contra a escravidão e os escravagistas. Ele se tornaria um rábula, ou seja, advogado não formado, o que era permitido na época. Rábula, mas melhor que muitos advogados formados. Gama se tornou um gladiador da caneta contra a famigerada escravidão.
Luiz Gama seguindo os passos da sua mãe Luíza Mahin, se torna um defensor intransigente da liberdade de homens e mulheres negras, lembrando que esta atuação radical acontece em pleno período da escravidão.
Durante toda a sua vida atuando como rábula, jornalista, poeta e também político Gama foi um pesadelo no sono das elites escravocratas. Dedicou-se à causa da abolição, defendeu escravos, ocultou negros fugidos em sua casa. É de Gama o famoso argumento usado para defender um escravo que havia matado o seu senhor. “todo escravo que mata o seu senhor o mata em legitima defesa”. Tal lema, o aproxima ainda mais do perfil de sua mãe Luiza Mahin, cuja resistência sem trégua aos seus algozes, foi seu legado deixado para o jovem rebelde Luiz.
Luiz foi como sua mãe, um ser humano a frente do seu tempo. Um visionário que via na abolição e na república elementos que poderiam retirar o Brasil de sua época das trevas da escravidão imperial.
Gama falece em 1882, infelizmente não ver a lei Áurea assinada pela conservadora princesa Isabel libertar oficialmente e legalmente os negros do Brasil em 1888. Mas sem duvida nenhuma que tal ação das elites imperiais, foi fruto da luta incessante de Luiz Gama, proporcionada ao longo de sua vida no combate ao cativeiro.
Para fechar nosso enredo que é uma ode a esse poeta do povo, a Garra de Ouro reparará a injustiça histórica e condecorará Luiz Gama com o título de advogado da OAB, pela luta da causa negra contra o racismo. Fazendo justiça de verdade na Rua da Conceição.

Justificativa do enredo
Em tempos de intolerância social e racial é de extrema importância, que a escola de samba instituição cultural produzida pelos afrodescendentes, se posicione como bastião da liberdade negra e de sua cultura política e religiosa. Por isso, nós da Garra de Ouro honrando o nosso símbolo, que são os pulsos negros quebrando as algemas da prisão, trazemos como enredo para Rua da Conceição, um ícone da história da luta negra contra a escravidão, durante sua lamentável existência. Achamos que com isso, estaremos jogando luz na história de um personagem, que infelizmente adormece no esquecimento dos arquivos de memória. Abrimos estes arquivos e estamos aqui trazendo Luiz Gama e sua memória para serem vistas e também, servirem de estímulos para as gerações futuras, como exemplos de luta e ousadia pela liberdade de raça, credo e expressão. Viva Luiz Gama o Espártaco negro do Brasil!
Mostrar que a história de Luiza Mahin e Luiz Gama ajuda a enriquecer as interpretações sociais sobre a participação dos negros na construção de uma identidade histórica brasileira mais democrática e ampla. Que infelizmente andou escondida da história oficial de tendência eurocêntrica.

Bibliografia
Da Costa, Emília Viotti. A abolição 2001, Global Editora, São Paulo
Benedito, Mouzar. Luiz Gama – o libertador de escravos e sua mãe libertária, Luiza Mahin. 2011, Editora Expressão popular, São Paulo
Lopes, Nei. História e cultura africana e afro-brasileira. 2008, Editora Barsa Planeta

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