"Ibejís - Nas brincadeiras de criança: os orixás que viraram santos no Brasil"
É tarde, sexta-feira, no sinal fechado dois irmãos reiniciam os malabares da vida, as esferas voam, parado no trânsito meu pensamento divaga e devagar a memória se revela: Batuque e Cores se misturam, ecoam tambores, risos, brincadeiras...
Dois, dois sereias do mar,
Dois, dois mamãe Iemanjá...
Dois, dois sereias do mar,
Dois, dois mamãe Iemanjá...
Dois, dois mamãe Iemanjá...
Dois, dois sereias do mar,
Dois, dois mamãe Iemanjá...
Ibejís: Herança da África ancestral, nos terreiros do Brasil...
Orixás... A imagem de irmãos gêmeos, na proteção aos pequeninos...
A alegria gêmea da felicidade, se espalha... No sincretismo encontra outros irmãos e o culto ganha força vestido de pureza.
A fé se enche de esperança, um sorriso de criança para os corações desertos, calor que afaga a alma, acalma rancores, desarma os brutos.
Ia Iá prepara o doce.. Yaô está no gongá...
E faz a vida como se fosse um viver sem amargar...
Na dança das cadeiras uma brincadeira chega, outra sai, o sonho permanece na pintura de um desenho, na dobradura do papel, no bem me quer de uma flor, serra, serra, serrador...
O sinal já vai abrir, os irmãos preparam o fecho de ouro e vão dar um baile, lembro piratas, mascarados, ciganas, é carnaval na grande matiné dos pequenos.
Chega de infância roubada, inocência perdida, chega de demanda. Neste reino de Oxalá o futuro é um criança que precisa de atenção.
É tarde, a sexta-feira se foi, abre o sinal, soa a sirene, o relógio está zerado e a verdade de ser criança vai renascer, no bailar de uma porta-bandeira protegida pelo mestre-sala, sob o axé dos Ibejís.
Hoje é festa de Ibejada! Salve Cosme e Damião!
Texto: Claudio Russo
Enredo: Jorge Caribé
Enredo: Jorge Caribé
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