
Sinopse do enredo “Clementina, Cadê Você?”
Cantarolava desde menina, mas a vida
dura por muito tempo não deixou meu canto embalar. Muita faxina fazia para meu
pão poder ganhar. Ninava as crianças para o choro acalentar. Depois batucava na
cozinha para eu não chorar! Mas batuque na cozinha, sinhá não quer. Por causa
do batuque, eu queimei meu pé.
Morei em Mangueira, Oswaldo Cruz e
Madureira. Um dia cantei alto e um moço importante eu fiz sorrir! Subi então
aos palcos sem maldade e fui aplaudida aos 63 anos de idade. Deixei raiz e
legado. Ser reconhecida era um sonho que não tinha nem como imaginar. Era como
não ser dali. Era como não ser de lá. De São Salvador ou terras de além-mar... Solitária
como um marinheiro só!
Cantei com vozes importantes e muito
premiada eu fui. Mas nunca liguei para o luxo, pois do morro eu vim e na
pobreza me criei. Minha vontade era a voz soltar. Errei, acertei e amei até
quem não deveria amar! Com torresmos à milanesa e um copo de cerveja brindava a
vida que não era brincadeira. No samba me reinventei e fiz o meu lar. Sambista
me tornei com orgulho a bradar. Fui coroada rainha do partido alto,
interpretei, criei e tive o meu lugar. No carnaval cantava jongos. Era batuque
sem parar. Hoje, sou homenageada e vou para a folia vadiar! Quer me achar? É
muito fácil, estou em todo lugar. Vou vadiar, vou vadiar… Ah, eu vou!
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